Mesmo diante da previsão de fortes chuvas para este sábado (11), cerca de 70 pessoas compareceram ao Projeto Curare, que retoma suas atividades de atendimento psicológico neste mês, que marca o alerta para os cuidados com a saúde mental, o chamado “Janeiro Branco”.
O atendimento é gratuito e acontece aos sábados, por ordem de chegada, das 8h às 12h, na Lagoa dos Pássaros, no bairro Stiep. Inicialmente, é realizada uma triagem e, em seguida, o remanejamento para o psicólogo. A equipe conta com profissionais, das áreas de psicologia e serviço social, entre servidores da instituição e voluntários. Participam assistentes sociais, psicólogos e atendentes supervisionados por um agente da Guarda com formação em psicologia.
Seja por meio de dinâmicas em grupo nas Rodas de Conversa ou pelas consultas individuais, um diferencial do Curare é o atendimento ao ar livre. Um espaço aberto, repleto de verde e onde se escuta o canto dos pássaros torna-se um ambiente mais leve e propício para o tratamento de dificuldades emocionais e problemas como ansiedade e depressão.
Aline Calmon, 23 anos, dedica suas manhãs de sábado como voluntária do projeto. A estudante de administração buscou atendimento em 2022 como paciente com quadro depressivo e hoje oferece sua mão de obra. “O que me trouxe aqui foi a minha situação mental e a necessidade de tratamento psicológico, já que suporte psiquiátrico eu já tinha. Tive uma melhora significativa e meus pais, vendo que o projeto precisava de mais colaboração, se colocaram como voluntários. Agora eles trabalham na parte de organização, atendimento e limpeza e também fazemos o acolhimento às pessoas que chegam aqui”.
Dona Isabel, mãe de Aline, também fala com muita empatia sobre sua atividade no Curare: “Com certeza, o que é mais gratificante é ver a saúde mental da minha filha melhorar. A cada sábado que acordamos sabendo que estaremos aqui, os olhos dela brilham. Eu me sinto na obrigação de ajudar, pois vejo que muitas pessoas entram aqui chorando e saem felizes por terem encontrado apoio emocional”. A família Calmon participa há quase três anos: “Não sou psicóloga, mas como voluntária eu sirvo naquilo que posso ajudar”, completa.
O Sr. Edson Calmon, que conheceu o projeto por meio de uma matéria na internet, viu no Curare uma oportunidade de tratar sua filha. “Eu sentia na pele o que um pai e uma mãe sentem por não poder pagar um psicólogo. E percebi que podia ajudar contribuindo com meu trabalho.” Visivelmente emocionado ao falar sobre a trajetória da filha, o Sr. Edson afirma: “Não tem dinheiro que pague! A minha recompensa é a minha autoestima, que só anda nas nuvens. E dia de sábado é melhor ainda!”, diz emocionado o pai de Aline.
À frente da Coordenadoria de Prevenção à Violência da GCM – CPREV, James Azevedo fala sobre a importância do trabalho para a comunidade: “A saúde mental é um tema que vai muito além do Janeiro Branco e trabalhamos com muito empenho pela continuidade dos atendimentos. Se você precisa de ajuda ou conhece alguém que necessite de alguma atenção psicossocial, não hesite em buscar apoio”.
Azevedo fala também sobre a importância do serviço voluntário: “Estamos recrutando, pois toda ajuda é bem-vinda. A demanda tem crescido bastante porque o Curare oferece uma rede de apoio que está sendo muito difundida”. James deixa um recado para os cidadãos: “Caso queiram ser voluntários, podem enviar um e-mail para o endereço: cprev.gcm@salvador.ba.gov.br”.